Universidades de Elite não faz Pesquisadores Melhores

Saiu essa semana uma matéria interessante na revista The Economist, trazendo a notícia que um pesquisador da Northeastern University evidencia que mudar para uma universidade mais renomada, não garante melhores resultados em pesquisas (pelo menos não para os físicos).

Embora o texto seja específico a físicos que produzem material no cenário dos EUA, algo que deve ser lembrado (e que sempre recordo meus alunos) é que a formação universitária é algo pessoal. A universidade é um catalisador e orientador. Mesmo nessas circunstâncias, o estudo e dedicação de cada aluno é o que garante, do ponto de vista profissional, maiores oportunidades na vida. Entrar numa universidade é o início, e não o fim, de uma vida de estudos.

Segue abaixo uma tradução livre que fiz do artigo da revista:


Por que escalar o pau de sebo?

Conseguir um emprego em uma universidade de topo não fará de você um melhor pesquisador
10/04/2014

the-economist

A maioria dos acadêmicos veriam um posto em uma universidade de elite como Oxford ou Harvard como o coroamento das realizações de uma carreira – trazendo glória e acesso a melhores adegas de vinho. Mas os estudiosos cobiçam tais lugares por razões que vão além da glória e gastronomia. Eles acreditam que empoleirar-se em um dos galhos mais altos da árvore acadêmica, também irá melhorar a qualidade do seu trabalho, trazendo-os para perto de gênios com quem eles podem colaborar e que podem ajudar a desencadear novas idéias. Isso soa plausível. Infelizmente, como Albert-Laszlo Barabasi, da Universidade Northeastern, em Boston (e também, deve-se dizer, de Harvard), mostra em um estudo publicado na Scientific Reports, que isso não é verdade.

Dr. Barabasi e sua equipe examinaram as carreiras de físicos que começaram a publicar entre 1950 e 1980 e continuaram a fazê-lo por pelo menos 20 anos. Eles classificaram o impacto cientifico das instituições as quais essas pessoas eram ligadas através da contagem do número de citações que cada paper da instituição recebeu durante cinco anos. Ao rastrear as filiações de físicos individualmente e contando suas citações de forma semelhante, o Dr. Barabasi foi capaz de descobrir se, movendo-se de uma menor  universidade para uma de alto escalão, havia melhora no impacto que um físico gerava [no meio científico]. No total, ele e sua equipe analisaram 2.725 carreiras.

Eles descobriram que, embora os físicos mudava uma ou duas vezes durante sua carreira em média, passar de uma universidade de baixa patente para uma de elite não aumentava o seu impacto científico. Indo na direção oposta, além disso, havia uma pequena influência negativa.

O resultado é que as universidades de elite, pelo menos da forma como os físicos se preocupam, não agregam valor à produção cientifica. Esta conclusão surpreendente deveria levar autoridades em países  como a Grã-Bretanha, que estão procurando concentrar matérias dispendiosas como física em poucas e eletizadas instituições — em parte para poupar dinheiro, mas também para criar o que são conhecidos como centros de ensino de excelência,  a reconsiderar tal postura.

FONTE:

Anúncios

Curso de Física Básica Online

Existem pelo mundo sites de cursos online, inclusive com certificado de conclusão, que complementam e até graduam estudantes. Uma iniciativa ainda tímida, porém de qualidade no Brasil, é o site Veduca. Existem três cursos (na data desse post), em que se pode conseguir certificação. São estes:  Bioenergética, Probabilidade e Estatística e Física Básica.

No caso de Física Básica, é uma ideia interessante cursar aqueles que desejam se aventurar em um curso de graduação em exatas e possui dúvidas de como é o nível do curso, estando ainda no ensino médio. O Prof. Dr. Vanderlei Bagnato da USP é quem ministra tais aulas.

Veduca

SI no Brasil

SIO Sistema Internacional de Unidade (SI), citado em toda aula de física, possui no Brasil o INMETRO como o órgão governamental responsável pela sua regulação. O motivo disso é que todo aparelho eletrônico deve obedecer as especificações técnicas ditadas pelo mesmo.

Para aqueles que desejam compreender melhor o SI, recomendo o texto abaixo extraído do site do INMETRO. Ao final do texto, deixarei um livro para download oferecido gratuitamente pelo próprio governo sobre o assunto. Vale a pena conferir as primeiras páginas onde, além de possuir a história por trás do assunto, fornece dicas valiosas sobre como  apresentar um resultado na ciência.

As informações aqui apresentadas irão ajudar você a compreender melhor e a escrever corretamente as unidades de medida adotadas no Brasil.

A necessidade de medir é muito antiga e remete à origem das civilizações. Por longo tempo, cada povo teve o seu próprio sistema de medidas, baseado em unidades arbitrárias e imprecisas como, por exemplo, aquelas baseadas no corpo humano: palmo, pé, polegada, braça, côvado.

Isso criava muitos problemas para o comércio, porque as pessoas de uma região não estavam familiarizadas com o sistema de medidas das outras regiões. Imagine a dificuldade em comprar ou vender produtos cujas quantidades eram expressas em unidades de medida diferentes e que não tinham correspondência entre si.

A civilização ocidental testemunhou, com a crise do feudalismo, transformações políticas e econômicas que criaram a necessidade de conciliar os interesses da nobreza aos da crescente burguesia mercantil. A formação dos Estados Nacionais tinha por características marcantes a criação de unidades monetárias; de um idioma nacional; e a padronização de pesos e medidas, para facilitar as trocas comerciais. A Revolução Científica do séc. XVII consolidaria mudanças no cenário intelectual, promovendo o estudo da Natureza e seus fenômenos à luz de novos conhecimentos.

A partir de 1790, no agitado período da Revolução Francesa, propostas para uma nova legislação metrológica foram enviadas à Assembleia Nacional. Aprovada no ano seguinte, o novo sistema teria por base de comprimento a décima-milionésima parte do quadrante de meridiano terrestre, baseado nas medições do arco de meridiano compreendido entre Dunquerque e Barcelona. A Academia de Ciências da França conduziu o projeto, apresentando, em 1799, o Sistema Métrico Decimal. Posteriormente, muitos outros países adotaram o sistema, inclusive o Brasil, aderindo à Convenção do Metro, de 20 de maio de 1875.

O Sistema Métrico Decimal adotou, inicialmente, três unidades básicas de medida: o metro, o quilograma e o segundo. Entretanto, o desenvolvimento científico e tecnológico passou a exigir medições cada vez mais precisas e diversificadas. Variadas modificações ocorreram até que, em 1960, o Sistema Internacional de Unidades (SI), mais complexo e sofisticado, foi consolidado pela 11ª Conferência Geral de Pesos e Medidas. O SI foi adotado também pelo Brasil em 1962,  e ratificado pela Resolução nº 12 (de 1988) do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – Conmetro, tornando-se de uso obrigatório em todo o Território Nacional.

FONTE: www.inmetro.gov.br/consumidor/unidlegaismed.asp

LIVRO SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES PARA DOWNLOAD:

O arquivo abaixo trás a tradução da publicação “Sistema Internacional de Unidades”  da 8ª edição bilíngue (francês e inglês) elaborada pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas – BIPM com revisões e notas de diversos colaboradores no Brasil.

Sistema Internacional de Unidades – SI – IISBN 978-85-86920-11-0 (2012; A4; 94 pág.)